Batimento Cardíaco

terça-feira, 29 de maio de 2007

Saber aceitar que acabou. Meter o . no final


Quando pensei em te fazer a pergunta, segurei a vontade por uns bons minutos. Conduzias e tive receio que pudessemos ter um acidente. Depois deu-me uma vontade enorme de me rir e virei a cara para a janela para que não me visses, apesar de ser de noite. Não era um riso de alguém que se sentia feliz, parecia quase um esgar de alguém que antecipava tudo o que ia acontecer.
Esperei uma recta e lançei as palavras de sopetão: '-Quando vamos ter um filho?'
Era o principio do desmoronar daquilo que eu tinha construido no ar, como castelos, mas sem alicerces ou formas visiveis...qualquer coisa parecida à construção feita pelas mãos de uma criança.
A partir dali foi apenas a confirmação de que não haveria filho, não haveria futuro, não haveria a palavra tu e eu ligadas pelo hifen. Tu não tinhas prometido, mas eu tinha estado à espera este tempo todo, como se pudesses mudar de ideias a qualquer momento. Acabou... tão simplesmente como tinha começado, com lágrimas... um acabar lento de uma noite em branco. De abraços apertados e beijos na fonte, de lágrimas no escuro, de sorrisos que queria compreender. As desculpas não se dizem, evitam-se apetecia-me gritar. Mas ao mesmo tempo sabia que não o devia fazer, deveria ser um fim tão calmo como o principio, deveria ser um apagar e não um cortar. De repente dei-me conta que eras tu o pai que eu queria para os meus filhos. Não nenhum que me desejavas nessas frases de circunstância, eras tu, mesmo que não prestasses como me dizias para me convencer. Encolhi os ombros a todas as coisas que me dizias. Como se fosse um sim, quando nem tinha em atenção ao que dizias, ocupava-me a ter pena de mim, a concluir que mais uma vez fiz uma escolha errada.

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